21 de novembro de 2012

Festival da Cultura Icoense - ICOZEIRO - A Origem





Festival da Cultura Icoense - ICOZEIRO
A Origem





PREÂMBULO

Desde meus primeiros passos na área cultural icoense, em meados de 1997, sonhava pelo reconhecimento dos artistas de nossa terra, sendo eu, um legítimo nativo da luta por esta causa, vivenciando os anseios, dores e prazeres de jovens lutadores em conquistar um lugar ao sol.
Muitos eventos foram feitos por intuições públicas, sendo que a continuidade dos mesmos tornou-se evasiva e ineficiente em muitos aspectos, a saber, pela falta de uma política pública mais acirrada para o nosso meio, como uma dotação orçamentário mais digna voltada a nossa cultura em todas as instâncias do poder, nem por isso na época dependíamos dos mesmos para nos movimentar, até por que a arte deve ser feita e propagada de forma mais espontânea e massiva possível, claro que os apoios oriundos do governo ou de instituições privadas são mais do que válidos, mas não é por falta deles que devemos retroceder em nosso talento e nosso árduo ofício, artista é artista com ou sem dinheiro, e é inegável que a ajuda financeira vem nos ajudar e muito, mas se um ator não tiver dinheiro para pagar o bordeaux num teatro, fará sua performance na praça, se um músico não conseguir alugar uma casa de shows para lançar o seu cd, ele o fará no quintal de sua casa, assim como um dançarino não depende única e exclusivamente de um par de sapatilhas e um tablado para dançar, tudo isso, evidentemente, é imprescindível para um melhoramento profissional e para apaziguar os pés cansados de pisar na terra quente, mas não é a falta de tais recursos que nos faz desistir, ou mesmo deixar de produzir a nossa arte.



VANGUARDA

Quando criança, lembro-me de vários eventos culturais em nossa terra, a saber: SEMIC, Festa do Havaí, Semana Santa com a Paixão de Cristo, Festa da Flores, Festival da Pipoca, Gincanas, São João, Festival de Quadrilhas, Festival de Poesias, Festival de Dança, Festival de Música, Forricó e demais outras eventos que não me vem a mente agora, mas devemos salientar que a maioria destes eventos eram feitos pelos próprios artistas, eu disse A MAIORIA, ou por instituições “não públicas” como o Leo Club, que foi um grande “fazedor” de cultura e arte, como também o movimento de Jovens, o PREJUCEM e mais recentemente o E.J.C, e até a própria prefeitura da cidade. Há de salientar que a SEMIC deixou saudades eternas e um lacuna que jamais será sanada, mesmo que o Forricó seja algo tão grandioso para os munícipes, principalmente para o comércio local, mas devemos convir que em seus primeiros anos fosse mais diversificado, abrangente e inclusivo do que está sendo nesses últimos.
Quem tem mais de 20 anos se recorda com saudosismo o grupo de dança mais ativo que nossa cidade já teve, falo do YARGO (deixando um forte abraço para o amigo Teddy Hans), o grupo foi induzido e disseminado por jovens de classe média/baixa, que tinham em seu âmago a força e a coragem de lutar por seus sonhos, e assim o fez outros grupos de dança como Força da Criança, Grito Liberty, Capricho e etc. Dentre outros grupos de Teatro como a C&A de Teatro Pedro Théberge e no Séc. XXI o GTAR (Grupo de Teatro Arte da Ribeira), sem falar em Bandas, Grupos e Duplas que encheram de música a nossa cidade em uma época não tão remota, como Tico & Xexéu, a magnífica Socorro Gaita, a banda Muleka Atrevida; permitam-me puxar a sardinha pra minha área de atuação (música), quem não se lembra de Ismael & L. Johnson que nos faziam ligar na Rádio Icó Fm durante todas as manhãs de sábado, comandadas pelo eloquente Marcondes Reis, nomes não faltam, falta espaço para citar, a minha banda por exemplo, a Kaoss, que foi a primeira Banda de PopRock da Cidade, e nos mais diversos estilos, como Flor do Samba que virou Xamega Samba (isso mesmo, com X), que foi uma febre nas cidades vizinhas e aqui também, Salgadim & Marquinhos dos Teclados, Daniel Angelim & Tico Preto, Pedro Alex e Banda, o poeta Pedro Lucca Cândido, enfim, tínhamos uma riqueza inestimável de artistas, e ainda temos.





NÚCLEO DE MÚSICA

Núcleo de Música Sobrado Canela Preta, nome cientifico: MONUMENTA, TOR: Apoio a Implantação do Núcleo de Formação Musical do Sobrado Canela Preta, que teve a sua primeira aula no dia 25 de junho de 2007, os primeiros acordes ouvidos pelo velho sobrado, foi o da Sanfona do conceituado mestre Rodolf  Forte, na época, eu regia o Coral Municipal de Icó, e fui convidado pela Sec. da Cultura, Jequélia Alcântara, para dar assistência ao Coordenador de Música do Estado, Eduardo Fidelis, atual Sub-Secretário Estadual de Cultura.
Fui o primeiro “civil” a entrar no Sobrado ainda com cheiro de tinta, fui eu que recebi, conferi e testei todos os instrumentos doados pela UNESCO na época e assim se seguiu...
A partir do momento que fui nomeado Coordenador do Núcleo de Música, em março de 2009, senti uma revolta descomunal, e uma vontade de mudar este quadro displicente, pois agora fazia parte de uma equipe de governo e teria meios de tentar resolver tudo, pois é, teria, mas sabemos que na prática a coisa é mais difícil, mesmo assim no mesmo ano, junto com o grande ator e amigo Marcos Mota, captamos R$50.000,00 provindos do extinto Edital Formação em Rede, cujo proponente foi a associação APROARTI, e o usamos da melhor forma possível, reformando alguns instrumentos, comprando materiais de escritório e de aula, contratando 10 professores da cidade e capacitando cerca de 500 alunos (recorde de inscrições até agora), em agosto do mesmo ano, resolvi criar a ACAI – Associação Cultura e Artistica Icoense, tendo como base os preceitos ideológicos do blog Icó Cultural (do Marcos Mota).



EUREKA

A partir da criação da ACAI realizei grandes eventos na cidade, grande em importância, mas quase nulos em reconhecimento. Quem não se lembra que durante 4 meses de 2009, entre setembro e dezembro, semanalmente eram realizados eventos na calçada do Teatro da Ribeira dos Icós? Eram palestras, shows, oficinas, apresentações de dança e peças de teatro, com o apoio logístico da SecultIcó, em 2010, após 2 anos de estudo concretizei o meu maior sonho, o Recital Ikó – Fé, Terra e Sangue (Ikó com K, em alusão a língua nativa dos índios Tapuia), juntamos em uma só apresentações 42 profissionais, no palco éramos 36, entre alunos e professores do Núcleo de Música, Banda Municipal e Artistas da Terra, foram apreciadas pelo público 8 peças de minha autoria, todas em alusão a fatos históricos primordiais ao nascimento de nossa terra, peças estas que demandou tempo e dinheiro, pois viajei muito em busca de informações mais precisas de como era feita música em nossa cidade tri centenária. E fiz mais, digo sem falsa modéstia, eu realizei, não por egoísmo, pois sem os amigos nunca teria passado de meus cadernos de partitura, mas em todo grande projeto temos que ter alguém a frente, pra errar e levar a culpa, e pra acertar e levar a culpa também, rsrsrs quem teve prejuízo e arcou com toda a responsabilidade fui eu, mas garanto que em momento algum o reconhecimento fui só meu, apesar de sofrer todas as mazelas sozinho. Fiz e faço quantas vezes for necessário, e posso dizer, e tenho propriedade para falar que é por amor, meus famílias, amigos e colegas mais próximos sabem como encho os olhos em saber que um artista da terra é reconhecido e o quanto clamo por isso, mesmo sem ter propriedade critica para tal, como os amigos do Bonde Cearense, do compositor Iran Barley, mesmo sendo um estilo totalmente novo pra mim (arrocha), respiro fundo toda vez que os escuto na rádio ou ao passar por algumas casas da minha rua, e sou fã deles com orgulho.
Em 2011, já maquinava algo maior, bem maior...



A ORIGEM

Ficava pensando: “Onde foram para os grupos de teatro e de dança que lotavam as escolas e a música que era tão viva em nossa terra?”
Deixando a saudade de lado um pouco, tinha que pensar em algo para que de alguma forma, trouxesse a tona tudo isso que perdemos, incentivar o nascimento e a permanência de nossa arte/cultura, e foi convivendo com os dois maiores apaixonados pela nossa cultura que criei forças para lutar, falo do Tio Miguel e Altino Afonso, peças fundamentais na propagação do que um dia já foi a arte e a cultura icoense, e inversamente proporcional a sua importância, tornou-se o descaso com os mesmo, que não pediam reconhecimento próprio, rogavam e ainda oram, apenas por dias melhores para a nossa cultura, assim como o maior amante que nossa terra já teve, PEDRO FRANKLIN THÉBERGE, em caixa alta para ser destacada a sua importância e proeminente ardor de crescimento do nosso município.
Desde o retorno do caríssimo amigo Bené Tavares as terras dos Icós, ele confessava-me planejar fazer um museu e exposição de arte nas celas da Antiga Casa de Câmara e Cadeia de Icó, atualmente Centro de Arte e Cultura Prefeito Aldo Marcozzi Monteiro, então viajei para o Festival Cariri da Canção na cidade do Crato, me encantei com as mostras que aconteciam simultaneamente ao festival de música, e pensei, por que não fazer o mesmo?
Chamei o Bené, e prontamente nos ajudou o Marcos Mota, começamos a elaborar o “tal” festival icoense, mas após diversas conversas com amigo Yuri Guedes (site Icó é Notícia e Associação AMICÓ) foi então que formulei a ideia principal evento, somando força com o professor e artista plástico Biro-Biro começamos a elaboração mais afundo. Então que por intermédio do Vando Rodrigues (ativista cultural), conheci um professor (cujo nome infelizmente não recordo), mas creio que vindo de Lavras da Mangabeira, o mesmo em visita ao Arquivo Público de Icó, falou-me sobre o projeto de seu livro e confessou-me ainda existir (não precisamente) um ramo da família das caparidáceas, que era predominante em nossa terra, e que segundo o Livro Icó em Fatos e Memórias (Miguel Porfírio de Lima) deu origem ao nome de nossa terra, pois o seu fruto tinha o nome de Icó; logo o nome Icozeiro embrenhou-se em minha mente, seria esta planta um vestígio vivo de um Icó esquecido.
Rabiscando em uma folha de papel A4, veio-me a ideia de fundir os ramos do Icozeiro, os galhos secos e retorcidos dos centenários tamarindeiros, e uma impressão digital que representaria a nossa cultura legítima, e tudo veio a tona, Icozeiro – Festival da Cultura Icoense, finalmente, encontramos o nosso standard.
O JINGLE

Instigado pela frase “São poucos que podem ver o que há de baixa da lona, que cobre essa nossa verdadeira riqueza”, propagada pelo Pedro Lucca em sua rede social, compus o Jingle do festival, mesmo antes de se ter uma ideia concreta de tal evento, e prontamente chamei amigos para gravar, esta música têm cerca de 12 artistas diferentes e foi produzido no Stúdio Criativa Musical.
A partir daí, foi um trabalho em conjunto e que foi coordenado de forma intuitiva, pois todos nós tínhamos a cede do “fazer cultural     “.

E ASSIM, FAZ-SE O ICOZEIRO!




PERORAÇÃO

         Por fim, gostaria de concretizar a realização do segundo ano do Icozeiro, e tornar público a nossa equipe de frente, para que possam ser regozijados e parabenizados pela sua, pela nossa luta, que são: Bené Tavares, Marcos Mota, Yuri Guedes, Biro-Biro e Eu, Bruno Kaoss. Sem deixar de comentar nomes de amigos que sempre nos auxiliar da melhor forma possível, mesmo com o tempo esguio, são eles: Ícaro Lavor, Cidinho Batista, Fco. Sallys, Victor Luíz, Heitor Muniz e Pedro Lucca.
Ressaltamos que o Icozeiro é um evento apartidário, e mesmo eu sendo um servidor público, tomei a frente do projeto com todas as minhas forças, como forma de protesto pela falta de apoio para com nossos artistas, falta esta devido a vários motivos, que não devem ser direcionados apenas ao poder público municipal, pois sabemos que quando tivemos um verdadeiro incentivo do estado, o nosso município ensaiou um levante em nossa cultura, falo da gestão da Sec. Municipal de Cultura Jequélia Alcântara, Sec. de Cultura Estadual Claudia Leitão e Governador do Ceará Lúcio Alcântara, que entre 2005 e 2007 realizaram grandes obras na área cultural.
O Icozeiro é feito por artista e para artistas, gostaríamos muito de ter recursos para agraciar todos os participantes do evento com um cachê e poder ornamentar o prédio de uma forma mais digna, mas até que o incentivo venha, o faremos da mesmo forma que no ano passado, através de amigos, favores e pequenos patrocínios, porém, importantíssimos, mesmo que não financeiramente, são de bom grado. O importante é que o Icozeiro irá acontecer, de 18 a 30 de dezembro na Antiga Casa de Câmara e Cadeia, atual Centro de Arte e Cultura Prefeito Aldo Marcozzi Monteiro, e convidamos a todos os amantes da arte para nos prestigiar.
Mesmo recebendo duras críticas de pessoas que se dizem artistas, mas se quer vivenciam a cultura “in locco”, ou mesmo nossos prazeres e amarguras no “fazer” cultural, precisamos melhorar, sempre precisaremos, mas fazemos com amor, e com ideais dignos, que serão espelho para as futuras gerações que continuarão o Icozeiro em diversas outras edições futuras, mesmo sendo feito de forma artesanal, mesmo sem pagar cachê, mesmo sem estrutura, sem ornamentação adequada, sem iluminação profissional, ou sem um som potente, mesmo assim...

“...O ICOZEIRO VAI FLORESCER NO CORAÇÃO DE QUEM FAZ A CULTURA E A ARTE NASCER”

1. Icozeiro

 [Bot.] - Planta da família das Caparidáceas, espécie típica do sertão nordestino. Trata-se de uma pequena árvore, que produz frutos em forma de cápsulas ovóides, pontudas, com 4 à 6 sementes amareladas. Suas folhas são tóxicas para os animais solípedes. Também é chamado de Icó.

O nome científico do icozeiro é: Capparis Yco



Texto enviado ao espaço do leitor por: 

Bruno Kaoss






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