4 de junho de 2013

Uma luta Hercúlea


Do Icó é notícia 



Foi há alguns dias atrás que aconteceu o I ARCAM – Arte da Ribeira com os Amigos, evento de iniciativa do grupo de teatro Arte da Ribeiro que corajosamente tenta injetar nas veias do povo icoense um pouco mais de cultura, arte e acima de tudo dignidade. E digo dignidade por quê?

Porque a incrível tarefa de dá aos sujeitos a capacidade de abstrair-se e subjetivar-se sem necessitar das amarras governamentais, seja em qualquer esfera [municipal, estadual e federal], é um trabalho hercúleo, ainda mais quando está tarefa é desempenhada por pessoas que foram estigmatizadas a vida inteira.

O artista, desde o surgimento do teatro, aparece como o bufão da corte, aquele que não tem serventia se sua cara não estiver pintada de forma esdrúxula para causar risos frouxos para quem a contempla, mas o fato é que, pergunto-me qual o nosso papel dentro da nossa sociedade? Para ser menos abrangente, qual o nosso papel aqui mesmo, nas terras dos Icós?

Pois é caríssimo, o evento aconteceu e poucas dezenas de pessoas apareceram e a maioria dos presentes eram transeuntes que se aboletaram por curiosidade e queriam identificar a algazarra que acontecia na famigerada “rua do meio”. Muito artistas estiveram presentes e todos deram sua contribuição. E num esforço quase que sobre-humano de um dos integrantes da trupe em vender as comidas e bebidas do evento para angariar fundos no intuito de ir para um festival de teatro para representar a nossa cidade, eis que um grito estridente surge do meio do público – “Não temos dinheiro para comprar o seu mungunzá, o prefeito não pagou”. Nessa hora, surgem alguns risos tímidos e ela repete novamente a frase irônica e retumbante, sem a necessidade de um palco para que chamasse atenção. Rapidamente ela foi interpelada por um dos participantes indagando-a o motivo dela está fazendo aquilo, o evento era algo apartidário, porém político.

Acho que algumas pessoas não entendem, de fato, o que é política. Se ela queria o palco para expor a suas ideias, que pintasse a cara também e fosse representar a sua classe indignada de assalariados em atraso e não causasse um constrangimento, fazendo uma conotação de resistência e oposição ao evento.

Todos sabem onde o calo aperta mais e pode ter certeza que, todos que fazem a administração das nossas terras tupiniquins sabem também. Os anos se passarão, os

pleitos irão se acabar e todos irão precisar novamente dos votos, inclusive dos artistas esmoleis da rua do meio.

Assim, duplamente marginalizados, os artistas da nossa cidade esperam por outro grito, um grito menos estridente, menos violento e constrangedor. Esperamos pelo grito de alguém que possa realmente contribuir e que não tenha pretensões salariais ou anseios por púlpitos eleitoreiros. Esta dica vai para todos que querem fazer de fato, uma oposição de vergonha a administração atual, porque nós artistas não esperamos nada mais alem do que a arte. Isentar-me da política nunca, mas da politicagem sempre.

* Texto escrito e enviado por Wellington Carneiro - Licenciado em Letras pela UECE e mestrando em Letras pela UERN


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